Falamos em Wi-Fi? Bom, vamos repassar do que se trata. Hoje, o padrão
para Internet sem fio móvel é o Wi-Fi, que se resume no seguinte: uma
rede de antenas irradia o sinal e os equipamentos com esta tecnologia que
se encontrem dentro do raio de ação das antenas de Wi-Fi (chamadas
""hotspots"") podem se conectar à Internet, sem fio,
a uma taxa de transferência de banda larga (a máxima permitida por esse
sistema é de 108 Mbps).
Graças a essa característica, em certas partes do mundo a tecnologia
teve um amplo desenvolvimento, que derivou em uma espécie de movimento
social formando comunidades de usuários nas quais cada um, com sua
anteninha, tenta comunitariamente cobrir totalmente um setor de alguma
comunidade ou bairro. Por que é preciso ter vários membros de uma
comunidade para isso? Porque as antenas de Wi-Fi têm um raio de ação máxima
de 150 metros, o que na prática se reduz a uns 90.
E aqui está o ponto da questão: a nova tecnologia WiMax propõe
velocidades mais altas (até 124 Mbps) e - o mais importante - cada antena
deste sistema amplia seu raio de ação dos 150 metros citados para... 70
quilômetros. A coisa, evidentemente, muda de figura. Mais ainda quando se
leva em conta que, quando a WiMax estiver em pleno desenvolvimento, a
promessa é de que o custo de instalação das antenas e equipamentos seja
mais baixo do que o do atual Wi-Fi.
Como dizíamos, a tecnologia Wi-Fi teve um amplo desenvolvimento e
crescimento nos últimos cinco anos em várias partes do mundo, mas na América
Latina sua aparição coincidiu com profundos processos de crise econômica,
especialmente na Argentina, que tornaram consideravelmente mais caros os
equipamentos e sua instalação para usuários e empresas.
Com o prometido raio de ação de 50 a 70 quilômetros, se abre outro
panorama. A Internet sem fio já não seria uma atração exclusivamente
urbana (situação que é inevitável se é preciso pôr antenas a cada 90
metros), muito pelo contrário. A Internet poderia ser levada a zonas
suburbanas e rurais onde a instalação de cabos seja ainda mais
dificultada pela baixa quantidade de usuários. Por este motivo é que a
Índia é um dos principais interessados no WiMax, para poder levar banda
larga (e telefonia, e serviços associados) de baixo custo para zonas mais
distantes.
Alguns detalhes técnicos da Wimax
Nome: WiMax vem de Worldwide Interoperability for Microwave Access
(Interoperabilidade mundial para acesso de microondas). O nome é a
""máscara"" da definição técnica da norma 802.16a,
um novo padrão sem fio que foi aprovado em janeiro do ano passado no
WiMax Forum, que reuniu mais de 60 companhias do setor.
Grande largura de banda: uma estação-base pode permitir
simultaneamente o acesso de mais de 60 empresas com conectividade do tipo
T1/E1 ou centenas de residências com conexões DSL.
Independência de protocolo: pode transportar IP, Ethernet, ATM
e mais.
Serviços agregados: pode transmitir Voz sobre IP (VoIP), dados,
vídeos, etc.
Compatibilidade: é compatível com as antenas de telefonia de
terceira geração (chamadas de ""antenas
inteligentes"") que, graças à emissão de feixe demarcado,
apontam constantemente ao receptor, mesmo que em movimento.
O futuro da Wimax
Conforme indica a Intel, os membros do grupo de trabalho do padrão IEEE
802.16 estão investindo na evolução da operação fixa à portabilidade
e mobilidade. A emenda IEEE 802.16e corrigirá a especificação base para
habilitar não apenas a operação fixa mas também a portátil e a móvel.
Os grupos de trabalho das IEEE 802.16f e IEEE 802.16g se encarregam das
interfaces de administração da operação fixa e móvel.
Em um cenário totalmente em movimento, os usuários poderão se
deslocar enquanto têm acesso a dados em banda larga ou a uma sessão de
transmissão multimídia em tempo real. Todas essas características
ajudarão a fazer com que WiMax seja uma solução ainda melhor para o
acesso à Internet nos países em desenvolvimento.
Problemas
Mas nem tudo relacionado a WiMax está claro. De acordo com a consultoria
Prince & Cook, os impulsionadores da tecnologia WiMax (Intel, Nokia,
NEC e Alcatel) não chegaram a um acordo sobre as especificações de um
padrão que permita certificar os equipamentos. Isto, somado a outras
questões, atrasa a adoção da tecnologia.
A primeira versão do WiMax, pensada para distribuir Internet sem fio
de banda larga, foi aprovada em 2004 mas as provas de certificação e
interoperabilidade entre equipamentos ficaram atrasadas até agora. Por
isso, os primeiros produtos comerciais
""certificados"" poderão estar prontos apenas em
2006.
Mesmo assim, equipamentos já estão em desenvolvimento e antenas estão
sendo instaladas.
Equipamentos
Em setembro do ano passado, a Intel anunciou seu primeiro chip de acesso
sem fio de banda larga que segue o padrão 802.16-2004. O chip tem o nome
chave de ""Rosedale"", e se espera que ele seja o
primeiro com desenho tipo ""sistema em um chip"" para
equipamento local do cliente (CPE) econômico que seja compatível com
IEEE 802.16-2004. OS equipamentos locais do cliente são colocados em uma
empresa ou residência para transmitir e receber sinais sem fio de banda
larga para conexão à Internet.
Fases de implementação
A Intel prevê a instalação do WiMax em três fases:
1- A primeira fase da tecnologia WiMax (baseada no padrão IEEE
802.16-2004) proporcionará conexões sem fio fixas por meio de antes
externas ainda na primeira metade de 2005.
2- Na segunda metade de 2005, WiMax estará disponível para instalação
em interiores, com pequenas antenas parecidas com um ponto de acesso Wi-Fi
atual. Neste modelo fixo em interiores, WiMax estará disponível para uso
em amplas instalações de banda larga residenciaisl, conforme os
dispositivos forem desenhados para ""instalação por parte do
usuário"", o que diminuirá o custo de instalação dos
provedores.
3- Para 2006, a tecnologia será integrada em equipamentos de computação
portáteis para serem compatíveis com a itinerância entre as áreas de
serviço de WiMax.
Desenvolvimento na América Latina
A Argentina é o primeiro país latino-americano a contar com o WiMax,
conforme indica a empresa Millicom - que há pouco anunciou a instalação
do primeiro nó WiMax na torre mais alta da capital, Buenos Aires, no
Parque da Cidade - e que já permite implementar conexões em menos de 48
horas com velocidades de até 10Mbs. ""Desta maneira, algo que
antes requeria meses de preparação e altos custos de implementação,
hoje se pode realizar rapidamente com custo muito conveniente,
aproveitando todas as vantagens do mundo sem fio"", diz a
Millicom.
Millicom também garante que duplicará a cobertura geográfica durante
o ano de 2005, através da implementação da nova tecnologia incluindo,
em uma primeira etapa, as áreas metropolitanas da capital, Córdoba e
Mendoza.
Por outro lado, a consultoria em comunicação Carrier e Associados
insinua que a companhia mexicana Telmex talvez possa trazer estes mesmos
serviços através das antenas da empresa de telefonia móvel CTI, que ela
controla na Argentina, e assim abrir caminho no terreno da banda larga - o
que mais cresce no país junto com a telefonia celular.
Continuemos atentos e com as antenas bem ligadas!
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