Wifi 802.11g quebra a barreira dos 100Mbps

Wifi 802.11g quebra a barreira dos 100Mbps

24 de março de 2005 Off Por maurelio

Nos últimos oito anos sempre ouvi comentários maldosos sobre o baixo desempenho das redes sem fio e sobre como não se podia nem mesmo iniciar uma comparação séria entre uma rede Ethernet e uma rede Wireless. Durante muito tempo, falar em redes wireless a 100Mbps era um sonho distante mas a tecnologia 802.11g tornou realidade.

Interligando prédios com wifi

Lembro de ter instalado um roteador wireless ligando dois prédios em 1998 e de todas as piadas que tive que ouvir.

Cada prédio era servido por uma rede a 10Mbps como os prédios estavam a 250 metros de distância e em lados opostos da rua, a única opção era uma rede sem fios. O desempenho da conexão wireless era de 4Mbps: menos da metade da rede local.

Daí, no início de 1999 as redes locais foram atualizadas para 100Mbps e as piadas se tornaram mais freqüentes. Isso perdurou até trocar o rádio por fibras ópticas a 155Mbps em 2000.

Em 2003 o mesmo cliente mudou uma de suas três unidades produtivas para um distante subúrbio, a 25Km do centro da cidade, onde não havia infraestrutura de fibra óptica.

Quando eu falei em interligar as redes por rádio houve um descrédito generalizado em razão da experiência de 5 anos antes. Porém muita coisa havia mudado nesse tempo. Vejamos algumas das mudanças fundamentais que ocorreram em cinco anos e como elas afetaram o mundo das redes sem fio.

Em 1998 as aplicações típicas eram de compartilhamento de recursos, nas quais os computadores clientes tinham todo o processamento local e o acesso aos dados se dava através de um servidor de arquivos.

Todas as operações de acesso a dados resultavam no transporte do arquivo completo desde o servidor até o cliente. Esse modelo faz uso irracional da conexão de rede e causa estrangulamento mesmo em redes de alto desempenho.

Hoje as aplicações estão divididas em camadas implementadas em computadores diferentes. O cliente cuida da apresentação de dados e da interface de navegação. O servidor de banco de dados armazena, recupera e processa as instruções dos programas, reduzindo o tráfego de dados ao mínimo necessário. Isso faz com que mesmo uma rede com menor banda passante possa suportar aplicativos com muitos usuários.

802.11g

Além disso, a tecnologia de redes Wifi ganhou um ímpeto com sua popularização. Em menos de 12 meses a velocidade máxima da tecnologia 802.11g passou de 22Mbps para 125 Mbps. Isso mesmo, hoje é possível ter uma rede sem fios com velocidade máxima praticamente igual à de uma rede Ethernet.

Com esses fatores a meu favor, propus a instalação do ambiente WiFi em caráter experimental. Tinha uma área de cerca de 650 metros, com a linha TEW400 da Trendware e no resultado final ela foi três vezes mais rápida que a tecnologia de 54 megabits por segundo, muito próximo do desempenho da rede Ethernet.

Em meus testes usei o Roteador Banda Larga Wireless 802.11g 125 Mbps Trendware TEW-411BRP+. Esse equipamento é dotado de Access Point interno, Switch de 4 portas Ethernet 10/100Mbps, suporte a 1 porta WAN, Servidor DHCP, Firewall e controle de acesso.

Nos clientes da rede usei a Placa PCI Wireless 802.11g 125 Mbps Trendware TEW-403PI+ e nos laptops o Cartão PCMCIA Wireless 802.11g 125 Mbps Trendware TEW-401PC+.

Para extender o alcance da rede, substituimos as antenas originais de 2bi do roteador por outras de 15 dbi. Reposicionamos alguns computadores, trocamos alguns armários de lugar e iniciamos os testes de desempenho.

As estações da rede Ethernet tiveram desempenho real de donwload de 41 Mbps, enquanto que a rede Wireless teve desempenho de 38Mbps. No entanto, no uso dos aplicativos e mesmo de jogos baseados na rede, os dois segmentos de rede apresentaram desempenho muito próximo.

Os roteadores WiFi não estão mais limitados ao compartilhamento de conexão à Internet em residências e pequenos escritórios. Também venceram a barreira dos 11Mbps que durante um longo tempo foi o limite de velocidade.

A tecnologia 802.11g vem dando saltos de desempenho em poucos meses. Novas tecnologias de redes sem fio, como o WiMax, já permitem aplicações com taxas de Gigabits por segundo.

O próximo passo para os fabricantes de redes sem fio é a redução do preço final dos equipamentos. Mas isso é uma questão de tempo e com a crescente popularização do WiFi.