INPE implanta novo modelo de previsão do tempo

INPE implanta novo modelo de previsão do tempoO Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, INPE, começou a utilizar um novo modelo de previsão do tempo, com maior confiabilidade e qualidade. O novo modelo também deve melhorar as previsões de ondas e correntes para a Baía de Guanabara, durante as Olimpíadas do Rio, em 2016.

As previsões de tempo em escala global do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), do INPE, começam a ser geradas a partir do primeiro dia do ano com um novo modelo atmosférico de circulação global, o BAM (Brazilian Global Atmospheric Model), com uma resolução espacial de 20 quilômetros e 96 camadas na vertical. Este novo modelo de previsão do tempo substitui a última versão do Modelo de Circulação Geral Atmosférico (Atmospheric Global Circulation Model – AGCM), em operação desde 2010, processado a uma resolução espacial de 45 quilômetros e 64 camadas na vertical.

Como o modelo global é utilizado para processar outros modelos do CPTEC, tais como os de previsões de tempo para América do Sul, clima sazonal, qualidade do ar, a expectativa é de que, gradualmente e muito em breve, estas previsões ganhem maior confiabilidade e qualidade. Melhorias deverão ser percebidas, em especial, para as previsões de eventos extremos, tais como chuvas intensas, períodos de seca, eventos de El Niño, etc.

O modelo antigo (AGCM) era uma versão modificada e melhorada do modelo global do COLA (Center for Ocean-Land-Atmosphere Studies), dos Estados Unidos, que começou a ser processado na inauguração do CPTEC, em 1994. Entretanto, para melhorar as previsões de tempo e clima em altas resoluções no Brasil, foi necessário desenvolver um modelo global próprio com uma nova dinâmica (equações do movimento da atmosfera) e física no estado da arte (radiação, camada limite, processos de superfície, microfísica, etc.), mais adequadas para as condições da América do Sul.

Segundo o chefe da Divisão de Modelagem e Desenvolvimento (DMD), do CPTEC, Silvio Nilo Figueroa, o BAM ficou em modo experimental durante um ano e em fase pré-operacional nos últimos três meses. Uma avaliação recente do desempenho do BAM para previsões de chuva sobre a região Sudeste apresentou níveis de acerto e qualidade similares àquelas geradas pelo modelo GFS (Global Forecast System), do NCEP (National Centers for Environmental Prediction), dos Estados Unidos. Por outro lado, em uma comparação entre os modelos antigo (AGCM) e novo (BAM) para a região dos trópicos, o BAM apresentou uma boa correlação de suas previsões em relação às observações com até cinco dias de antecedência, enquanto o antigo modelo de previsão do tempo mostrou uma queda de desempenho a partir do segundo dia das previsões.

Os desenvolvimentos realizados no BAM terão desdobramentos sobre os modelos regionais ETA e BRAMS, que cobrem a América do Sul, com resoluções iguais ou menores a 5 quilômetros, e que serão alimentados com as condições de contorno do novo modelo. Com estas implementações, a expectativa é de que as previsões de tempo para o Brasil deverão melhorar bastante nos próximos meses tanto em qualidade, com maior riqueza de detalhes, como em confiabilidade, principalmente para as previsões com mais de 2 dias de antecedência.

O bom desempenho do BAM trará impactos para os modelos regionais de 1 quilômetro que serão utilizados como condições de contorno (ventos) para as previsões de ondas e correntes para a Baía da Guanabara, durante as Olimpíadas do Rio de Janeiro, no próximo ano, compromisso assumido pelo Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). O novo modelo atmosférico também será útil para acoplar um modelo oceânico, com o qual serão produzidas previsões estendidas de tempo por conjunto (Ensemble) com até com 4 semanas de antecedência, bem como previsões de clima sazonal para até 3 meses. Finalmente, este modelo também será utilizado como componente atmosférica da nova versão do Modelo Brasileiro de Sistema Terrestre (BESM) para projeções de mudanças climáticas. Estes desenvolvimentos, incluindo um sistema de assimilação de dados próprio, deverão ser implementados no próximo ano.

Segundo Silvio Nilo, com a entrada em operação do BAM, se impõe a necessidade de melhoria da estrutura computacional do CPTEC. Um experimento realizado recentemente para avaliar o desempenho do atual supercomputador para processar o modelo BAM adaptado a uma melhor resolução espacial, de 10 quilômetros, demonstrou que mesmo utilizando toda a capacidade de processamento do supercomputador Tupã, fazendo uso de seus 30 mil processadores ao longo de 2 horas, foi possível gerar previsões para apenas 24 horas. Ou seja, para as próximas demandas de modelagem do CPTEC, que exigirão previsões de alta resolução, o atual supercomputador é incapaz de gerar previsões operacionais para até 7 dias, sendo limitado também para realizar previsões de clima sazonal (global e regional) com alta resolução espacial.

Em 2010, a capacidade computacional do CPTEC estava no mesmo nível dos grandes centros mundiais, que atualmente já contam com máquinas entre 30 e 50 vezes mais velozes (na ordem de PetaFlops ou 1015 operações de ponto flutuante por segundo). O NCEP, dos Estados Unidos, por exemplo, tem capacidade para rodar seu modelo global a uma resolução espacial de 13 quilômetros. Silvio Nilo ressalta que somente com uma nova infraestrutura computacional, mais potente, será possível dar continuidade aos avanços do BAM, implementar o seu acoplamento ao modelo oceânico e aos modelos regionais e, consequentemente, produzir melhorias em todas as previsões processadas pelo CPTEC.

O novo coordenador do CPTEC, Antonio Manzi, que assumiu o cargo recentemente, destaca que o período de vida útil do atual supercomputador do INPE, o Tupã, expira em 2017, e como os processos de compra de um novo supercomputador levam ao menos um ano e meio, a compra de uma nova máquina deve ser iniciada no próximo ano, caso contrário haverá queda na qualidade das previsões geradas pelo CPTEC, acarretando potenciais prejuízos ao país. Diversas atividades econômicas dependem da boa qualidade das previsões, como os setores agrícola, de energia, meio ambiente, transporte, e mesmo o sistema de alertas emitidos pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais – CEMADEN.

Mitos sobre CRM E CRM Social

Tags relacionadas a CRM e CRM SocialTer um bom relacionamento com os clientes é fundamental para o sucesso de uma marca. Com o “boom” das redes sociais que vivemos hoje, os consumidores estão cada vez mais propensos a expressar suas opiniões sobre uma determinada marca ou produto, que irão viralizar esta mensagem a potenciais clientes. Se essas pessoas não forem bem atendidas, vão se transformar em detratores da marca (conhecidos como “haters”), criando testemunhos negativos e causando grandes prejuízos.

Ao analisarmos o mercado e o comportamento dos consumidores, observamos por meio de pesquisas que a maioria dos consumidores consideram as redes sociais como sendo o meio mais eficiente de atendimento. 64% deles reclamam em plataformas sociais após serem mal atendidos pelo SAC tradicional e elegem o Facebook como a plataforma de propagação de sua mensagem.

Para se adaptar a esta nova forma de relacionamento, as empresas estão adotando a estratégia de CRM Social, que é a evolução do tradicional CRM (Customer Relationship Management) ou estratégia de gestão de relacionamento com os clientes, com foco nas redes sociais e web. O CRM Social tem um grande potencial, mas percebo que alguns vícios do mercado reduzem sua eficiência durante a implantação. São na verdade mitos, criados durante a evolução do CRM e muitas vezes usados para explicar questões difíceis de compreender na época, onde havia uma mínima noção de Big Data e sobre o real poder da opinião de um único consumidor social.

  1. CRM Social é uma ferramenta. CRM é o acrônimo para Customer Relationship Management ou Gerenciamento das relações com consumidores e é uma estratégia e não uma ferramenta, como muitas pessoas dizem. As ferramentas ou softwares são utilizadas na automatização dos processos e na análise e medição dos resultados da estratégia, prática fundamental em uma estratégia focada nos canais digitais.
  2. CRM é uma ferramenta de vendas. Sem vendas não existem clientes. Porém apenas com vendas também não existirão clientes a médio e longo prazo, caso não se crie um relacionamento duradouro. A manutenção, fidelização do cliente e consequente geração de novas vendas com as indicações deste mesmos em redes sociais, por exemplo, depende do relacionamento. Parece básico, mas muitas empresas esquecem que cliente mal atendido no pós-vendas e durante o relacionamento comercial irá difamar a marca nas redes sociais e não voltará a fazer negócios. Por este motivo, normalmente o ciclo do CRM é pautado por uma tríade: vendas, promoção e atendimento. Se a estratégia de CRM das empresas se baseiam apenas em um destes pilares é melhor repensar o que se perdeu no caminho.
  3. E-mail, gerenciador de projetos, agenda de vendas: tudo é CRM. Como em qualquer estratégia, utilizam-se diversas ferramentas para sua execução. Por sua característica multidisciplinar e multicanal, o CRM se espalha por todos os departamentos de uma empresa e por diversos canais de contato com o cliente. Para se gerenciar uma estratégia de CRM completa são necessárias diversas ferramentas. O ponto é, ao adquirir um software de CRM para gerenciar sua estratégia, faça a pergunta básica: Como a sua empresa irá vender, promover e atender os clientes com este software? Se a resposta for: Me atenderá parcialmente, lembre-se que necessitará investir em outros softwares complementares para fechar o ciclo. Realize então uma análise dos custos e dos benefícios desta aquisição e do impacto em todas as áreas da sua empresa.
  4. A mesma estratégia de atendimento é utilizada em todos os canais. O cliente que utiliza um canal nem sempre é o mesmo que utiliza outro. Portanto, apenas repetir o script pode não funcionar. Já se sabe que as gerações mais novas preferem os canais digitais como web e redes sociais para serem atendidas. Muitas empresas falham ao subestimar o poder da venda e da fidelização destes canais. Por exemplo: O site da sua empresa e suas redes sociais, juntos podem gerar milhões em vendas ou no mínimo impedir que sejam perdidos milhões por falta de gerenciamento e atendimento adequado.
  5. Não preciso de CRM para gerenciar o relacionamento com meu cliente. Então, boa sorte pois neste exato momento diversos clientes podem falar sobre sua marca ou produto nas redes sociais. Ou pior, pesquisar opções de seu concorrente por não ter encontrado a sua marca. Mas, o pior mesmo será não receber qualquer “feedback” seu, o que será encarado pelo consumidor social como uma falha bem grave. Estes clientes não voltarão a fazer negócios com sua empresa, segundo pesquisas, nem a procurar sua empresa ou ao menos lhe indicar. O mesmo pode acontecer com o site da sua empresa e outros canais digitais que não estão sendo monitorados e nem estão interagindo com seu consumidor de forma adequada. Na maioria dos casos, não é necessário um acompanhamento em tempo real, mas ao menos uma visão macro do comportamento de seus canais digitais é o mínimo para iniciar uma tomada de decisão consistente e passar uma boa imagem ao cliente.
  6. Uma “Euquipe” dá conta do recado. Ao analisar os dados gerados pelos consumidores, muitos gestores não percebem dois fatores: um deles é a riqueza das informações compartilhadas pelos clientes espalhadas sem organização por diversos canais; e o outro é o volume de trabalho necessário para extrair e cruzar esses dados dentro da empresa com o objetivo de criar um diferencial nas estratégias de comunicação e relacionamento. Porém muitas empresas subestimam esses fatores e delegam todo o trabalho a um único profissional ou a uma “euquipe”, que em muitas vezes não está dedicada e focada a esta atividade específica, mas sim a dezenas de outros projetos paralelos. Obviamente não atingem o resultado esperado e culpam as ferramentas. Por isso, muitas vezes vale a pena terceirizar parte do projeto para empresas especializadas a fim de reduzir custos, melhorando o desempenho, satisfação do consumidor e o gerenciamento do processo, criando indicadores reais e eficientes sobre seus consumidores e sob o ciclo de consumo para tomada de decisão.

José Jarbas é o CEO e fundador da eCRM123, que tem como objetivo oferecer tecnologia e serviços para ajudar empresas na gestão de seus consumidores utilizando as redes sociais e a web.

Interação: a comunicação do futuro da Internet

Se a maioria imaginou que a Internet seria para humanidade apenas um novo meio de se comunicar, posso afirmar que ocorreu um pequeno engano. Para poucos já está claro que na rápida tentativa de conceituá-la, essa foi subaproveitada em sua principal função: a interação entre seus usuários e as redes sociais vieram para maximizar a interação entre pessoas de todo o mundo.

Tão logo o e-mail tornou-se a forma mais difundida de uso da Internet mundialmente, acreditava-se que seu principal papel estaria cumprido. Uma grande massa de pessoas trocando informações entre si, de forma individualizada, fazendo deste um meio de comunicação sem precedentes.

Passando a limpo: o conceito de comunicação é muito diferente do conceito de interação. No primeiro, sentimos que está embutido uma via de mão-única – alguém ou alguma empresa propaga informações a várias outras pessoas ou instituições, de uma forma padrão. O que é falado ou escrito por um é apenas assistido por outros passivamente.

O foco da grande maioria dos projetos de websites atuais de empresas é a comunicação de um para muitos. Meros expectadores, colaboradores ou usuários, muitas vezes, sequer têm suas dúvidas por e-mail respondidas a contento. São sufocados no site empresarial por inúmeras páginas com demasiado conteúdo institucional, especialmente projetadas para “esconder” qualquer menção a um número de telefone prático ou a identificação do nome do responsável pelo serviço de atendimento. É nesta visão vertical que os projetos empresariais encontram-se na atualidade.

Em breve, numa próxima fase de mudanças que criará a plenitude do uso da Internet pelas empresas, a interatividade será o grande trunfo no relacionamento entre colaboradores, fornecedores e clientes – esses últimos ávidos em expressar suas idéias de forma participativa. Múltiplas pistas de mão-dupla. A comunicação de muitos para muitos.

Uma forma multidimensional de interação. A aglutinação de idéias vindas de diferentes fontes e formas para atingir o bem comum. Quem já fez uso identifica, nos atuais grupos ou fórum de discussão, recursos precursores desse novo conceito.

As limitações das ferramentas, que cada website usa até então, tende a ceder espaço para o novo mundo da Web 2.0, a chamada “Internet Viva”, com a oferta de serviços dinâmicos ao invés de páginas com conteúdo estático.

Grandes corporações internacionais já possuem interação social, via Blog Corporativo – uma espécie de diário on-line das situações que ocorrem na empresa, discutidas publicamente com os internautas visitantes, de forma ativa, como uma conversa. O recurso se faz presente em cerca de 8% das empresas incluídas na lista “Fortune 500”, a qual contempla empresas como: HP, Fedex, Wal-Mart, General Motors, dentre outras. A perspectiva para pequenas e médias empresas adotarem o mesmo procedimento é estratégica: uma forma simples de estar um passo à frente da concorrência.

No mesmo caminho social estão os Wikis (iniciais da frase em inglês “What I Know Is…”) – ferramentas de trabalho on-line para interação em grupo e desenvolvimento de comunidades em rede, criando o relacionando do próprio público-alvo da empresa: colaboradores, fornecedores e clientes, estimulando a inovação colaborativa, a participação e ação mútua entre seus membros. O caminho para aproveitamento da inteligência coletiva nas tarefas do dia-a-dia e na condução dos negócios.

Apostando um pouco mais no mundo empresarial, chegarão também os Mashups (do inglês “mash-up”, mesclar ou mixar) – ou seja, num único site ou aplicação haverá a combinação de conteúdo relacionado, vinda de mais de uma fonte de dados, como uma forma de integrar o conhecimento na geração de outros resultados, seja no melhor uso de um serviço ou num novo modo de agregar valor a um produto.

Façam suas empresas interagirem socialmente e estejam certos que a recompensa será imensa.

* Eduardo Favaretto é empresário, especialista em Internet e atua na área de tecnologia desde 1987. Fundador do iBUSCAS, gestor de recursos e aplicações de softwares para Internet, dedica-se à criação de soluções disponíveis on-line baseadas no conceito de Web 2.0 e rede social.