Cada vez mais os restaurantes de SP se rendem ao computador de mãoCada vez mais os restaurantes de SP se rendem ao computador de mão  Mundo Sem Fios!   9 2010

Cada vez mais os restaurantes de SP se rendem ao computador de mão

by  Gustavo Miller  00//2/7/27 Hits:697
Está aumentando o número de restaurantes wireless na cidade de São Paulo, graças à agilidade e facilidade
com que os pedidos são entregues e ficam prontos com o uso de PDAs; crescimento chega a ser de 8% por ano

Agilidade nos pedidos, maior controle sobre o estoque e um melhor atendimento. São esses os três fatores que vêm levando donos de restaurantes paulistanos a adotar cada vez mais a comanda eletrônica em seus estabelecimentos.

Saem os garçons tradicionais, de bloquinho de papel no bolso e caneta atrás da orelha, e entram em cena os garçons hi-tech, empunhando PDAs (computadores de mão), que enviam o pedido à cozinha pela internet sem fios.

“Apenas em bares e restaurantes da capital a gente vê um crescimento anual de cerca de 8% no número de estabelecimentos que passaram a usar PDAs”, diz Sérgio Marques, diretor-executivo da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes de São Paulo (Abrasel).

De restaurantes pequenos a grandes cadeias, o aumento tem justificativa: os elogios são vários, principalmente à rapidez com que o prato fica pronto.

Em um restaurante wireless, o garçom anota o pedido do cliente com um computador de bolso. Os dados da refeição são transmitidos rapidamente por internet Wi-Fi até a cozinha ou a copa, sendo impressos em impressoras térmicas.

Parece complicado, mas na verdade é simples. Desse modo, o garçom não precisa ir o tempo todo até a cozinha ou à copa para passar os pedidos e pegar os pratos – isso fica a cargo de outro funcionário, o cumim, que é o auxiliar de garçom.

“Evitando andar tudo isso, o garçom concentra-se no seu setor para atender melhor às mesas, e o pedido chega mais rápido”, explica Enoque Guimarães, gerente do Joakin’s.

Para ele, a agilidade do sistema de comanda sem fio é fundamental. “Hoje, a batata frita chega à mesa do cliente em cinco minutos; antes demorava 15”, diz. A lanchonete adotou o sistema há um ano.

Em 80 das cerca de 250 unidades do Habib’s, os garçons já usam PDAs. Até no drive-thru, o atendente vai até os carros para anotar os pedidos.

Segundo Eduardo Perline, gerente da rede, em um ano e meio todas as lojas deverão ter rede wireless instalada. Assim como Guimarães, Perline diz que a questão do tempo foi fundamental. “Reduzimos o tempo de entrega em 50%.”

Já para Walter Mancini, proprietário do Famiglia Mancini, o grande benefício do uso dos PDAs foi o maior controle interno que ele ganhou sobre seus restaurantes.
“Atendo mais de 30 mil pessoas por mês e tenho mais de 280 pratos cadastrados. A tecnologia foi importante porque eu agora controlo mais facilmente como está o estoque de cada um”, diz. A ressalva de Mancini é feita ao caro preço de implementação e manutenção do sistema.

AO GOSTO DO CLIENTE
Segundo o Link apurou, o custo gira em torno de R$ 15 mil a R$ 20 mil na implementação de um ambiente que inclui de cinco a seis PDAs, mais impressoras térmicas, Access Point, servidor Wi-Fi e um desktop.

A instalação depende muito da conexão sem fio. Caso ela caia, o jeito é voltar pro velho bloquinho de papel.

“Como restaurante tem muita barreira, como paredes, a gente faz um estudo de rede para saber quantos roteadores são necessários”, afirma Roberto Lechuga, gerente de Marketing da MGI, revendedora da HP.

Em relação ao número de computadores de bolso, daí varia muito do tamanho do estabelecimento e da escolha de cada estabelecimento. Não há uma definição sobre a quantidade exata.

O cliente também escolhe como ele quer moldar o seu cardápio para os PDAs. Como todo brasileiro tem um pouco de cozinheiro e adora fazer mudanças nos pratos, há softwares adaptados para esses pitacos.Se o suco é com açúcar ou não, se o hambúrguer vem com ou sem maionese, não há problema algum.

A maioria dos programas, como o Colibri, faz o cadastro dos clientes (daí dá para saber o que cada um geralmente pede), gestão de vendas, controle de estoque e fluxo do caixa.

Os softwares costumam trabalhar com um sistema de cores para facilitar o controle do que acontece em cada mesa.

Assim: cada garçom fica responsável por certo número de mesas de um setor. Se alguma estiver verde no visor, significa que ela está abrindo. Amarela quer dizer que nada está sendo consumido há algum tempo.

“O garçom deixou de ser passivo e não precisa esperar você levantar o braço para pedir algo”, comenta Lechuga.

O OUTRO LADO
Apesar de todas as facilidades trazidas pela comanda sem fio, ainda há alguns restaurantes que batem o pé, e não desejam que seus garçons usem PDAs tão cedo.

São casas antigas e com poucas mesas, cuja clientela é fiel e não vê vantagem em que o pedido seja entregue rapidamente.

“Palms funcionam muito bem em cardápios fast-food”, diz Demerval Despirip, dono do Marcel, restaurante francês com 50 anos de existência.

“O ritmo daqui é outro, mais tradicional, não tem como usar”, complementa Ricardo Trevisani, gerente da rede de restaurantes do Grupo Fasano, como o Gero e Parigi.

Outro importante ponto argumentado pelos entrevistados “do outro lado” é que, com um computador de bolso, a relação garçom/cliente fica mais impessoal.

“Fica algo um pouco deselegante”, diz Trevisani. Aliás, até quem é favorável ao sistema dá o braço a torcer nessa questão. “Garçom antigo, que tem charme e conversa com o cliente, perde muito com o Palm”, confessa Mancini.

Outros, de tão tradicionais que são, nunca se renderam ao papel e a caneta – o que diria um PDA? “Trabalhamos estilo quitanda, anotando todos os pedidos de cabeça”, ri Giovanni Bruno, do Il Sogno di Anarello.

“Acho fantástico quem usa Palm, mas sou feliz assim há 54 anos e quero trabalhar desse jeito até morrer”, termina o italiano de 70 anos, enquanto confere os pedidos das 17 mesas de seu pequeno restaurante.



Fonte: link.estadao.com.br